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A formação profissional do aluno surdo em uma escola técnica de nível médio

Renária Rodrigues de Castro

Graduanda em Letras – Libras (UFPI), graduada em Pedagogia (Uespi), pós-graduada em Educação Contextualizada para o Semiárido (Uespi), professora da Secretaria Municipal de Educação (Picos/PI), coordenadora pedagógica do Centro Estadual de Educação Profissional Petrônio Portela (Picos/PI)

A sociedade está em constante mudança, segundo Freire (1979), devido ao fato de a educação ser para o homem algo inacabado, o que implica uma busca constante da perfeição; ele diz que “o homem deve ser sujeito de sua própria educação” (Freire, 1979, p. 14); pensar nos diferentes discursos de Klein (2001; 2003; 2010), Pfeifer (1999), Falcão (2017) e Viana (2010) sobre formação dos sujeitos surdos em relação à profissionalização no ambiente educacional faz compreender de forma privilegiada a lógica de que a deficiência pode ser superada, principalmente com a valorização da Libras (Língua Brasileira de Sinais) em todos os segmentos da sociedade.

Klein (2010, p. 79) diz que o trabalho é libertador, leva “o sujeito com deficiência auditiva à conquista da autonomia”, principalmente se for compreendido em sua língua natural – no caso do surdo brasileiro, a Libras. Klein firma ainda que grande parte das escolas de surdos da América Latina proporciona escolaridade de séries iniciais, porém, se os surdos pretendem continuar os estudos, inserem-se em escolas regulares em regime de integração (Klein. 2010, p. 83). As escolas profissionalizantes de cursos integrados no Ensino Médio não estão atendendo ao objetivo de ampliar a empregabilidade dos jovens deficientes. Nesse sentido, a Educação Profissional, considerando as estratégias de políticas públicas de acesso e permanência no meio produtivo, deve priorizar os programas de qualificação profissional frente à questão da deficiência (Viana, 2010, p. 79-81).

Pfeifer (1999) afirma que o processo para adquirir competência para exercer uma profissão, em se tratando de pessoas com deficiência, é um desafio que exige soluções diferenciadas e inovadoras; o papel da escola nesse processo é fundamental, pois auxilia o educando (com deficiência ou sem) a enfrentar e obter êxito num mercado de trabalho tão competitivo.

O presente artigo permeia minha prática profissional e o próprio curso de Letras – Libras, constituindo-se em uma parceria que fez surgir o desejo de aprofundar os conhecimentos sobre a formação profissional das pessoas surdas. O trabalho justifica-se pelo fato de o tema formação profissional da pessoa surda estar presente nas discussões atuais e por eu trabalhar em um centro de educação profissional em que, desde 2017, encontra-se matriculado em um curso técnico um discente surdo que utiliza Libras para se comunicar.

São visíveis as dificuldades para inclusão de pessoas com deficiência na escola e no mercado de trabalho, pois, segundo Silva (2012, p. 12), a história da inclusão escolar ultrapassou séculos, partindo do atendimento nas Santas Casas de Misericórdia até chegar ao período de institucionalização da Educação Especial; hoje, apesar de inúmeras leis que garantem a inclusão das pessoas com deficiência nas escolas, ainda se percebe a ausência de recursos para adaptação e acessibilidade em muitas escolas, tanto públicas quanto particulares; estas até mesmo se recusam a realizar matrícula se essa acessibilidade lhes gerar ônus.

Sassaki (2010, p. 57) ressalta que o mercado de trabalho, no passado, podia ser comparado a um campo de batalha, em que de um lado ficavam “as pessoas com deficiência e seus aliados empenhados para conseguir alguns empregos e do outro os empregadores, praticamente despreparados e desinformados sobre a questão da deficiência”. Isso não mudou muito nos últimos anos, pois somente algumas empresas, por força da Lei de Cotas (nº 8.213/91), contratam pessoas com deficiência. A maioria das empresas brasileiras ainda não é inclusiva; mesmo que os candidatos com deficiência sejam tão qualificados quanto os outros, ainda há preconceitos empresariais, e em seleção para preenchimento de vagas a deficiência pode ser critério eliminatório, pois “no Brasil, a inclusão vem sendo praticada em pequena escala por algumas empresas” (Sassaki, 2010, p. 63).

A escola profissional tem papel importante nesse processo e deve desenvolver ações que esclareçam, junto às empresas e aos familiares da pessoa com deficiência, as verdadeiras capacidades, potencialidades e oportunidades dessas pessoas.

O Decreto nº 2.208/97 (Brasil, 2007, p. 6) aponta “a perspectiva de integração das políticas para o Ensino Médio e para a Educação Profissional, tendo como objetivo o aumento da escolarização e a melhoria da qualidade da formação do jovem e do adulto trabalhador”. Quando a lei não exclui, ela atende os jovens e/ou adultos, independentemente de suas capacidades e habilidades.

Este trabalho visa compreender como ocorre a aprendizagem profissional do aluno surdo usuário de Libras em um centro de educação profissional que oferta cursos técnicos de nível médio integrado. E tem como objetivos específicos caracterizar o processo ensino-aprendizagem na escola de formação profissional onde está inserido o aluno surdo; descrever a área profissional e os motivos de escolha do aluno surdo pelo curso técnico; e refletir sobre as metodologias utilizadas pelos professores da Educação Profissional para incluir o aluno surdo usuário da Libras em suas aulas.

A pesquisa permitiu colher as informações necessárias sobre o processo de formação profissional da uma pessoa surda no Centro de Educação Profissional Petrônio Portela, na cidade de Picos/PI, com a intenção de mostrar aos profissionais da Educação uma reflexão sobre as suas práticas docentes para reestruturar o cotidiano da escola técnica profissionalizante, valorizando assim a diversidade humana.

O surdo e o trabalho

Ballesteros (1856, p. 120), no século XIX, dizia que “Não basta ensinar aos surdos-mudos os meios de comunicar com a sociedade por meio da linguagem. É preciso assegurar a eles o pão de cada dia, dar-lhes condições de uma arte, de um ofício, e por isso, em todos os colégios deve haver oficinas de trabalho”. Vale ressaltar que o termo surdo-mudo era utilizado na época da publicação; hoje em dia não é mais aceito pela comunidade surda, admitindo apenas a forma surdo.

Ou seja, Ballesteros já naquela época acreditava na capacidade das pessoas surdas, deixando claro para o ministro de fomento de Madri que era preciso garantir a elas condições de próprio sustento com uma educação que as habilitasse para o trabalho.

Hoje, porém, ainda existem muitas pessoas, até mesmo familiares de pessoas surdas, que têm preconceito e dizem que os surdos são pessoas de “mente fraca” (Falcão, 2017, p. 433) ou que não precisam estudar ou trabalhar, porque são beneficiadas pelo BPC (benefício da prestação continuada) menosprezando a capacidade intelectual delas.

O BPC é um benefício previdenciário nacional mensal a título de contribuição social do Governo Federal que muitos surdos brasileiros recebem pelo fato de terem uma deficiência. Segundo Falcão (2017, p. 425), existe uma cultura entre os surdos de que não precisam de formação escolar nem profissional e que não precisam trabalhar por causa desse direito, embora estejam garantidos por lei que, caso não se adaptem ao serviço, que serão reintegrados ao BPC.

Falcão (2017, p. 433) diz ainda que, “mediante essas dificuldades, a inclusão dos surdos no mercado de trabalho deverá ser preocupação para a família, para a escola e para a pessoa surda, que deve ser encorajada com exemplos de outros surdos”, o que mostra a importância de a pessoa surda ter contato com outras pessoas surdas e, assim, sentir-se motivada a buscar mais conhecimentos e autonomia.

O mundo do trabalho: um olhar sobre a educação profissional do surdo

Santana (2007) cita, na introdução do seu livro Surdez e linguagem: aspectos e implicações neurolinguísticas, uma reflexão a respeito da surdez e a possível consequência para conseguir um bom emprego, dizendo que:

o diagnóstico da surdez traz, junto com ele, os pré-construídos culturais em relação ao “ser surdo”: impossibilidade de falar, de aprender, falta de inteligência, insucesso na escola, incapacidade de conseguir um bom emprego etc. Quando uma família ouvinte descobre que o filho é surdo, tem que fazer escolhas: se realizará cirurgia de implante coclear, se aprenderá a língua de sinais, […] se irá coloca-lo em uma escola regular ou especial (Santana, 2007, p. 13).

A afirmação de Santana faz refletir sobre o tema surdez, que, no ponto de vista dela, se torna fator condicionante da existência da pessoa, envolvendo muitos aspectos, de ordem médica (diagnóstico e tratamento), ordem linguística (processos diferentes de aquisição da linguagem oral e/ou de sinais), de ordem educacional, de ordem social (dificuldade de interação com ouvintes), de ordem trabalhista (dificuldade de empregabilidade e luta pelas cotas) e de ordem política (luta pelos próprios direitos) (Santana, 2007, p. 13-14). A família ouvinte que não busca esclarecimento a respeito da surdez geralmente procura garantir que seu filho possa falar, principalmente se médicos garantirem que isso seja possível. A família ouvinte que é esclarecida sobre esses aspectos está engajada em buscar os melhores meios para que seu filho surdo se desenvolva com competência, buscando sempre sua autonomia e independência.

Pfeifer (1999, p. 1) salienta que cabe às escolas, sobretudo às escolas especiais, oferecer uma educação que proporcione aos estudantes com “deficiência o desenvolvimento pessoal e a socialização, oferecendo um olhar amplo sobre as várias questões que envolvem o mundo do trabalho”. Ressalta ainda que

é fundamental que as pessoas com deficiência conheçam suas aspirações, limitações e, a partir daí, construam o conhecimento necessário para integrá-lo na vida prática. Por essa razão, faz-se necessário oferecer programas que procurem sondar e analisar os interesses e aptidões e, a partir disso, orientar na escolha da profissão (Pfeifer, 1999, p. 1)

Para ela, o sujeito surdo precisa ser consciente de seus anseios e de suas limitações, porque o mercado de trabalho encontra-se cada vez mais competitivo e exigente em relação à qualificação profissional; exatamente por esse motivo ela diz que se deve oferecer programas que façam sondagem e análise das aptidões desses sujeitos. Segundo Falcão (2017, p. 431), uma conquista social para o surdo

é a garantia de poder estudar e estruturar a vida como sujeito ativo e produtivo, que se mantém junto com a família fruto do seu esforço pessoal, do trabalho e segundo as possibilidades e oportunidades que passam a ser restabelecidas e definidas como prioridade e reconhecimento e não encoberto por privilégios e superproteção.

Muitas pessoas se reconhecem nesse pensamento, pois qualquer um que tenha deficiência ou não quer ter sua autonomia produtiva, principalmente na fase adulta, não seria diferente com a pessoa surda; embora ela tenha as limitações da ausência auditiva, isso não a impede de ter aspirações profissionais e a vontade de estar incluída no meio laboral. Sassaki (2010, apud Falcão, 2017, p. 432-433) traz uma visão não imediatamente profissionalizante.

Os cursos existentes e os cursos futuros deverão adaptar-se ao perfil do novo alunado, que reflete a diversidade humana. Essa abordagem se inspira no modelo social da deficiência, segundo o qual é a sociedade que tem o problema da exclusão, ela é que causou as deficiências e é ela que deve eliminar todos os fatores incapacitantes e excludentes que estão nos sistemas sociais gerais. Essa abordagem segue o paradigma da inclusão social. Ou seja, é a sociedade que deve adequar-se às necessidade e habilidades das pessoas, e não o inverso.

O que impede as pessoas surdas de se inserir no mercado de trabalho não é a surdez, muito menos a língua utilizada por elas; é a própria sociedade onde estão inseridas, que preconceituosamente desde a Antiguidade considerava os surdos como seres não pensantes, pois acreditavam que a fala era o resultado do pensamento, e, por receio da dificuldade de comunicação, deixam-nas na dependência de seus pais e dos benefícios assistencialistas; muitas vezes a própria família é agente impeditivo para que elas busquem a autonomia, a independência e a competência profissional.

Sabe-se que as escolas de surdos são locais privilegiados, principalmente nos discursos em relação ao surdo e ao trabalho. O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), localizado na cidade do Rio de Janeiro, conta hoje com um programa desenvolvido pela Divisão de Qualificação e Encaminhamento Profissional (Diepro) que tem o objetivo qualificar e encaminhar a pessoa surda ao mercado de trabalho, valorizando suas potencialidades e promovendo o exercício da cidadania. O INES, porém, fica distante da maioria dos estados brasileiros; os surdos que pretendem se qualificar profissionalmente seguem o inevitável caminho de integração com uma “sociedade ouvinte”.

Metodologia

O presente estudo utilizou a abordagem qualitativa de natureza descritiva, pois, segundo Lakatos e Marconi (2011, p. 271), na “pesquisa qualitativa há um mínimo de estruturação prévia. Não se admitem regras precisas, como problemas, hipóteses e variáveis antecipadas, e as teorias aplicadas deverão ser empregadas no decorrer da investigação”. Esse tipo de pesquisa se adéqua à temática que investigo, pois as informações a serem coletadas foram confrontadas com o estudo de teorias anteriores, até porque nas “pesquisas descritivas o objetivo primordial é a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis” (Gil, 2002, p. 42).

Utilizou-se o estudo de caso por permitir o conhecimento amplo e detalhado. De acordo com Yin (1981, p. 23, apud Gil, 1994), o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno dentro do seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidência.

Para realização do referido escopo, observou-se o aluno surdo em sua realidade escolar no Centro de Educação Profissional Petrônio Portela, sendo ele o primeiro surdo matriculado na escola. O aluno nasceu em Fortaleza/CE, terra natal de seu pai; veio morar na cidade de Picos ainda criança. Deficiente auditivo desde a infância, usou aparelho até o início de sua adolescência, quando perdeu o aparelho e seus documentos em uma mudança, e estava impossibilitado de buscar novo aparelho devido às baixas condições financeiras da família.

O jovem aprendeu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) no início de sua adolescência, com uma professora do projeto comunitário AABB Comunidade, na mesma cidade piauiense; é oralizado, mas prefere se comunicar através de Libras. Como escuta um pouco e consegue fazer leitura labial, escreve em português com certa fluência, embora em algumas situações a estrutura da Libras apareça em sua escrita. Para que fosse possível a produção de dados desta pesquisa, foi realizada uma entrevista com esse aluno, tanto ele quanto a utilizando Libras; as perguntas e as respostas foram todas sinalizadas; depois, para a produção deste trabalho, a autora traduziu para o português.

Também foram sujeitos desse estudo três professores que atuam nas diferentes disciplinas da base técnica do curso de Informática em que o aluno está matriculado. Os três são graduados na área de Sistemas da Informação e iniciaram a carreira docente recentemente.

A escola oferta educação profissional de nível médio em cursos técnicos nas modalidades Integrado ao Médio e Proeja (Programa Nacional de Educação Profissional com a Educação Básica de Jovens e Adultos). O programa teve como base de ação a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, pelo Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006; depois foi ampliado em termos de abrangência e aprofundamento em seus princípios pedagógicos, passando a contemplar diferentes cursos na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Brasil, 2006).

O local da realização desse estudo é um Centro de Educação Profissional da rede estadual de ensino do Piauí localizado na zona urbana da cidade de Picos. A instituição oferece educação técnica profissional, atendendo 659 alunos da microrregião nos três turnos (manhã, tarde e noite).

Para coleta de dados foi utilizada a entrevista semiestruturada; segundo Alves-Mazzotti (1999, p. 168), a entrevista, por ser de natureza interativa, “permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente por meio de questionários, explorando-os e aprofundando-os”. Semiestruturada porque dá ao entrevistador liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada, com o intuito de identificar como ocorre o processo de ensino-aprendizagem do aluno surdo em um centro de educação profissional.

Na análise de dados das pesquisas qualitativas, busca-se atingir os significados manifestos e latentes no material qualitativo, por meio de técnicas de análise de conteúdo, de expressão, de relações, temática e da enunciação (Gil, 2002). No entanto, para Marques (2006), não existe nada pronto para aqueles que pretendem utilizar a análise de conteúdo como método em suas investigações. Na verdade, para esse autor, existem apenas algumas regras básicas que permitem ao investigador adequá-las ao domínio e aos objetivos pretendidos, reinventando a cada momento uma maneira de analisar.

A proposta desta pesquisa para análise dos dados, portanto, foi que após a organização preliminar das observações fez-se sua análise individualmente, agrupando as ideias comuns até que chegassem a um parecer coerente, que pudesse apontar as dificuldades, desafios e perspectivas para a formação profissional do aluno surdo. Com isso, o resultado da análise de dados será confrontado com a literatura estudada na busca de concordância ou divergência com outros estudos.

Em suma, o presente artigo é uma pesquisa qualitativa descritiva que se fundamentou em autores como Klein (2003; 2010); Pfeifer (1999), Falcão (2017), Santana (2007) e Sassaki (2010), dentre outros, além de documentos, decretos e leis nacionais sobre Educação Inclusiva e profissional, como as Leis nº 10.436/02, nº 9.394/96, Estatuto da Pessoa com deficiência (Decreto nº 5.626/05) etc.

Discussão dos resultados

As escolas e os centros de formação devem repensar suas finalidades, seu currículo, suas formas de atuação, porque é buscando na escola regular a qualificação necessária que os surdos se inserem para poder buscar inserção no mercado de trabalho (Falcão, 2017, p. 432). Foi na escola regular que se desenvolveu a pesquisa, na escola técnica CEEP Petrônio Portela, que em 2017 recebeu seu primeiro aluno surdo, que buscava qualificação profissional para ser encaminhado ao mercado de trabalho.

O estudo de caso: a instituição e seus participantes

O estudo foi realizado no Centro Estadual de Educação Profissional Petrônio Portela, localizado na Rua Moacir Luz, s/nº, bairro Canto da Várzea, em Picos, criado pelo Decreto Estadual nº 5.308, de 24 de janeiro de 1983; atualmente oferta cursos médio integrado à educação profissional em quatro eixos tecnológicos: Meio Ambiente e Saúde; Informação e Comunicação; Gestão e Negócios; e Segurança. Historicamente, foi estruturado com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino (Premen) e mantido pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Piauí, sob a modalidade de Ensino Integrado/2º grau com habilitações básicas em Construção Civil, Mecânica, Comércio, Saúde e Agropecuária.

Com os avanços tecnológicos e as mudanças no ensino–aprendizagem, a escola foi reformada pelo Programa de Reordenamento da Educação Profissional (Proep) para oferecer, a partir de 2004, Educação Profissional nos níveis técnicos e básico. Atualmente oferta cursos de Educação Profissional em: Serviço Jurídico, Recursos Humanos, Segurança do Trabalho, Análises Clínicas, Farmácia, Enfermagem, Agente Comunitário de Saúde, Redes de Computadores e Informática.

Não há na escola registro de outros alunos com deficiência; então consideram-se sujeitos deste estudo o primeiro aluno surdo matriculado na escola e três professores que ministram disciplinas da base técnica no eixo tecnológico de Informação e Comunicação do curso técnico de Informática. As entrevistas e observações foram realizadas de maio a julho; as analises dos resultados ocorreram no período de julho a agosto de 2018.

Na pesquisa desenvolvida, além do estudo de caso (material colhido nas entrevistas e observação), também foram utilizados como fonte o estudo bibliográfico do tema proposto. A observação deste estudo teve por base o que diz González Rey (2002, p. 57) sobre um momento informal, que é na informalidade que os sujeitos manifestam elementos que estavam obscurecidos ou que não se sentiram à vontade para manifestar nos momentos formais.

Constituição do cenário social da pesquisa com o primeiro aluno surdo do CEEP Petrônio Portela

No passado, as escolas de surdos tinham objetivos relacionados às necessidades emergentes das fábricas; exemplo disso foi citado por Klein (2010, p. 80) sobre uma publicação do Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris, em que ela pôde verificar que o trabalho era um dos objetivos da escola. Nos tempos atuais, e em se tratando de uma região onde não existem escolas de educação para surdos, foi perguntado ao aluno do CEEP Petrônio Portela os motivos que o fizeram escolher um curso técnico. Sua resposta foi rica em detalhes.

Porque a informática é mais importante para eu trabalhar nas lojas do comércio e eu queria aprender um pouco mais sobre a informática para arranjar um emprego mais fácil, se eu não tivesse escolhido informática não teria como arranjar um emprego mais fácil. Aprender a consertar computador, baixar aplicativos do programa, aprender fazer arte, Corel Draw, aprender a digitar, aprender a mexer no computador, quando for secretário, resolver os problemas do computador no CPU, no sistema, nos programas e várias outras coisas (Aluno surdo, com tradução minha para o português).

Cabe ressaltar que o curso escolhido por ele foi o de informática, área tecnológica que está em constante evolução. Pelo teor da resposta, fica evidente que ele sabe exatamente o que essa área demanda, pois esses cursos foram “implantados em uma época de crescente interesse por computadores, em que grandes empresas e bancos necessitam de mão de obra específica para a digitação”, configuração e manutenção dessas máquinas (Klein, 2010, p. 83). Por estar antenado com os aspectos tecnológicos que permeiam a sociedade, ele é consciente das possibilidades que essa área representa hoje e futuramente.

Klein (2010, p. 83) explica que muitas escolhas dos sujeitos surdos por atividades profissionais são motivadas pela família e educadores, por acreditarem que a informática seja uma atividade ideal para os surdos; nesse sentido, perguntou-se ao aluno surdo se ele se identifica com o curso que escolheu e suas motivações.

Bom, eu não gosto muito de informática, poucas coisas eu gosto de informática. Agora, a informática ajuda a pessoa a ter um bom salário e é bom trabalhar na sombra.

Pela sua resposta pode-se perceber que ele tem a perspectiva de que essa área é bem remunerada e não é desgastante fisicamente; embora não goste muito da área, ele vê possibilidade de ter uma vida laboral produtiva, financeiramente falando. Ele tem esse ponto de vista por ver pessoas da comunidade e da própria escola tendo bom padrão de vida por trabalhar nessa área.

Para Sassaki (2010, p. 31), foi a partir do final da década de 1960 que o movimento pela integração social começou a procurar inserir as pessoas com deficiência nos sistemas sociais gerais, como educação, trabalho, família e lazer. Foi perguntado ao aluno surdo se os professores procuram se comunicar com ele para saber se está entendendo os conteúdos.

Muitos não. Tem algum professor na sala que é muito básico, tem professor que não explica bem e tem professor que explica muito bem, aí eu acho que eles não conversam comigo.

A integração que deve ocorrer na sala de aula entre o aluno surdo e os ouvintes, segundo Sassaki (2010, p. 33), tem que de alguma forma ser capacitada a superar as barreiras. Muitas escolas da rede regular atual dizem superar fazendo a inclusão das pessoas surdas por meio da presença de um intérprete. No entanto, não é possível incluir o aluno surdo apenas com a presença do intérprete; deve-se criar um ambiente em que todos saibam Libras e possam interagir e desenvolver potencialidades. A esse respeito, foi perguntado se os professores o ajudam a interagir com os colegas; ele afirmou que os professores pedem para ele fazer trabalhos e tratam das notas.

A resposta do aluno para as questões anteriores faz refletir sobre os aspectos que compõem a história da inclusão, que no Brasil, embora todos estejam conscientes de que se trata de um processo que depende de mudanças sociais e da mudança de atitude das pessoas, pelo fato de deverem ser incorporadas a seus hábitos pessoais; assim, se tornam ainda mais lentas (Pires, 2006, apud Falcão, 2017, p. 35), principalmente no que se refere aos alunos surdos, em que a maior dificuldade de inclusão é a língua, o meio próprio de comunicação.

Cabe ressaltar que esse aluno é oralizado, aprendeu a falar desde a infância; o que ele diz, que acha que o professor que explica bem não conversa com ele, é algo bastante complexo para analisar, pois o ambiente da escola é bem diversificado, com número grande de turmas e, consequentemente, de alunos, o que muitas vezes leva os professores a não se aproximar de todos os alunos para conversar e conhecer sua realidade. Ele diz que os professores o ajudam a interagir com os demais alunos, mas isso acontece somente em momentos isolados, como nas atividades que são avaliativas; não é uma interação cotidiana.

Falcão (2017, p. 37) afirma que em muitas escolas da rede regular de ensino a atual inclusão das pessoas surdas se faz apenas pela presença de um intérprete. Sabendo que o aluno surdo conta com a presença do intérprete de Libras em sala, foi perguntado se o intérprete facilita o entendimento das matérias, ajudando a tirar dúvidas.

Meu intérprete ajuda quando o professor fala, interpreta só a explicação quando o professor for muito básico, mas o estepe dele não ajuda muito, ele não melhora porque quer namorar, mas ele se esforça muito, o curso de informática é difícil.

Embora o Art. 17 do Decreto nº 5.626/05 afirme que “a formação do tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras – Língua Portuguesa”, no Piauí há poucos profissionais intérpretes de Libras; a maioria deles encontra-se na capital. No interior do estado, são admitidos intérpretes que possuam cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições credenciadas por secretarias de educação. Foi nesses cursos que o intérprete do aluno surdo do CEEP Petrônio Portela foi formado; quando o aluno diz que o estepe dele não ajuda muito, está querendo dizer que ele precisa melhorar, buscar mais conhecimento da língua e sinais da área de informática desconhecidos por ambos.

Quando ele disse que o curso de Informática é difícil, percebe-se que é pelo fato de ser da área de Exatas, por haver muitos códigos e termos técnicos desconhecidos. Diante dessa resposta, perguntou-se, então, quais disciplinas do curso ele preferia. Ele respondeu que gosta das disciplinas da base comum, como História, Geografia e Biologia, o que não é muito comum para estudantes surdos, que se identificam com as disciplinas que envolvem cálculos, por serem mais visuais.

Ao final da entrevista perguntou-se ao aluno surdo se ele pretendia continuar estudando, fazer universidade. Qual curso ele desejaria fazer?

Bom, eu acho que pra estudar na universidade é muito difícil, eu não tenho vontade de ir para universidade, quando eu terminar o ensino médio, eu não vou mais fazer universidade. Eu poderia ter ido, sim, pra universidade, eu queria escolher o curso de PM ou Polícia Rodoviária Federal, professor de Libras, também direito, mas eu acho que é complicado eu ir estudar na universidade.

O que ele respondeu demonstra claramente que não é motivado para prosseguir os estudos, não são apresentados a ele exemplos de pessoas surdas que conseguiram se destacar pela educação. Sassaki (2010, p. 40) diz que a inclusão é um processo que contribui para o desenvolvimento de uma nova sociedade por meio de ações, pequenas ou grandes, em ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, assim como na própria pessoa com deficiência. Não só os professores devem influenciar, mas também toda a família e amigos do sujeito surdo que tenha o objetivo de se qualificar profissionalmente em nível superior e assim conseguir um bom emprego.

Constituição do cenário social da pesquisa com os professores da base técnica de Informática do primeiro aluno surdo do CEEP Petrônio Portela

Nesta seção serão comentadas as entrevistas realizadas com os três professores das disciplinas da base técnica do curso de Informática do CEEP Petrônio Portela; elas ocorreram em momentos diferentes e separadamente, para obter respostas sem interferência do ambiente de trabalho.

O Art. 36-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n° 9.304/96), que trata da Educação Profissional Técnica de Nível Médio, diz: “O Ensino Médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas”. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabeleci­mentos de Ensino Médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional (Brasil, 2017, p. 29).

Esse parágrafo não faz menção à formação profissional do sujeito surdo nem outra alínea da seção IV-A da LDB, garantindo às pessoas surdas igualdade perante a lei, como está mencionado no Capítulo II, Art. 4º do Estatuto da Pessoa com Deficiência: “Art. 4º. Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação” (Brasil, 2015, p. 12). Ou seja, as pessoas surdas têm direito garantido por lei de se inserir na Educação Profissional em busca de formação adequada para assim poderem entrar no mercado de trabalho com competência e habilidades desenvolvidas durante os cursos técnicos que melhor se adequarem às suas aspirações. Diante do exposto, na entrevista com os três professores que ministram aulas no curso técnico de informática do CEEP Petrônio Portela, lotados em diferentes disciplinas da base técnica profissional, foi perguntado: A escola oferece acessibilidade necessária para o aluno surdo se desenvolver?

Professor A: Oferece sim.
Professor B: Sim, com o auxílio do intérprete em sala.
Professor C: Sim, mas precisa melhorar.

Ao professor C foi acrescentada outra pergunta: você poderia elencar os pontos em que a escola precisa melhorar para promover essa acessibilidade?

Um dos principais pra mim, seria a qualificação dos professores para saber lidar da melhor maneira possível (Professor C).

A inclusão de um aluno surdo não termina quando ele é colocado em uma sala regular; isso é apenas o inicio. É preciso que haja operacionalização da inclusão, que requer capacitação dos professores e recursos didáticos especializados. Nesse sentido, a pergunta feita aos três professores foi: você já participou de alguma formação para trabalhar com alunos com deficiência? É conveniente ressaltar aqui que os três professores são estreantes na profissão docente e que todos são formados em cursos de bacharelado na área de Sistemas da Informação, o que esclarece o fato de a resposta dos três ser negativa a essa pergunta.

Outra pergunta foi: o que você faz para envolver o aluno surdo em suas aulas e interagir com os outros alunos? Apenas dois professores responderam; um não quis opinar:

Procuro sempre envolver ele nas atividades em sala de aula. Procuro adaptar minha aula para seu melhor entendimento e envolver os alunos ouvintes no universo de Libras, com a ajuda do intérprete (Professor A).

É muito difícil proporcionar uma interação. Entre eles é mais fácil, porque eles (alunos) já se conhecem e fica assim mais fácil deles se comunicarem (Professor C).

É visível que as crenças, atitudes e a motivação do professor influenciam a inclusão; ao não se posicionar em relação às formas de envolvimento com o aluno surdo, esse professor provavelmente não faz nada para que a inclusão aconteça. Entre as crenças e motivações estão acreditar na capacidade de aprendizagem dos alunos surdos e estimular o desenvolvimento de sua autoestima. Sentimentos positivos nos alunos sem deficiência, como solidariedade e respeito mútuo, são desenvolvidos também pela inclusão (Sassaki, 2010, p. 42); embora os professores não tenham conhecimento de Libras, é fundamental que pelo menos se mostrem interessados no aprendizado do seu aluno surdo, no seu desenvolvimento escolar, como o Professor A demonstrou fazer.

A despeito da educação dos surdos, alguns autores dizem que eles são “iguais” aos ouvintes, que aprendem “igualmente”, que a diferença é apenas a língua; enfim, negam a deficiência como questão política e ideológica e se esquecem de que por trás desse desvio conceitual muitas pessoas surdas são abandonadas pedagogicamente porque não são oferecidas estratégias adequadas às suas funções cognitivas (Falcão, 2017, p. 47). Não é o caso do aluno surdo sujeito desta pesquisa, que conseguiu aprender a ler e escreve muito bem, está razoavelmente na idade certa para a série que cursa.

Com certeza a defasagem da maioria dos alunos surdos tem muito a ver com a falta de interesse dos professores da escola regular de se envolver com alunos surdos e buscar melhores metodologias para que seus alunos se desenvolvam profissionalmente, pois os professores não estão sendo formados para trabalhar com as diferenças e sim na homogeneidade – que não existe em parte alguma do planeta, pois a humanidade é diversa.

Outra questão importante da entrevista diz respeito à avaliação; a pergunta foi: de que forma você avalia o desenvolvimento educacional do seu aluno surdo como futuro profissional?

Avalio como muito promissor, porque ele é muito dedicado e consegue absorver os conteúdos com facilidade (Professor A).

Às vezes ele demonstra interesse em trabalhar na área, outras não. E isso afeta diretamente seu interesse e seu desenvolvimento educacional (Professor B).

Vejo nesse aluno uma capacidade incrível pelo seu interesse e dedicação, embora haja barreiras, acredito em um futuro promissor (Professor C).

Diante das respostas, cabe uma observação: os Professores A e C fazem uma avaliação promissora do aluno surdo, enquanto o professor B o avalia de forma distante, como se estivesse falando de outra pessoa. Nas observações em sala, o aluno demonstrou ser uma pessoa tranquila e receptiva, sempre disposto a ajudar, a aprender e a realizar todas as atividades.

Portanto, pode-se dizer que a realidade dos professores da Educação Profissional precisa de formação adequada, pois o que se percebe são escolas fazendo uma inclusão incipiente, muitas vezes sem a presença de intérpretes, pois na rede estadual de educação da cidade de Picos há poucos desses profissionais disponíveis; eles também necessitam de horário pedagógico, e não há ninguém para substituí-lo. O Professor B, por exemplo, só soube que tinha um aluno surdo em sua segunda semana de aula, pois na primeira o intérprete de Libras não estava na sala; por isso a distância e a falta de empatia em suas respostas.

Considerações finais

A autonomia de uma pessoa surda, em se tratando de qualificação profissional, depende muito mais de uma nova postura de todos à sua volta do que de sua própria vontade, pois é o estimulo e a conscientização das pessoas da família, dos professores e dos amigos que, somados aos fatores de competência, funcionalidade e autonomia,poderão proporcionar a empregabilidade desejada.

O estudo deixou claro que o aluno surdo sabe exatamente o que a área de informática demanda; pode-se perceber também que ele tem a perspectiva de que essa área é bem remunerada e não é desgastante fisicamente. Sobre a relação entre professores e alunos, ele demonstrou que a maioria dos seus professores não procura se comunicar com ele e às vezes fala sobre trabalhos ou notas. O aluno sujeito desta pesquisa gosta das disciplinas da base comum, como História, Geografia e Biologia, o que não é comum para estudantes surdos, que se identificam mais com as disciplinas que envolvem cálculos, por serem mais visuais. Ele também demonstrou claramente que não é motivado para prosseguir os estudos, fazendo um curso superior; até relacionou alguns cursos de seu interesse, mas, desmotivado, disse que seria muito difícil conseguir passar nas provas.

Os professores são conscientes de que a escola dispõe da acessibilidade de que o aluno surdo necessita – o intérprete de Libras; apenas um acha que a escola precisa ofertar capacitação para os professores para melhorar essa acessibilidade. Como os três professores entrevistados são bacharéis na área de Informática e iniciaram suas carreiras docentes recentemente, não tiveram nenhuma formação para trabalhar com deficiências.

Sobre a interação com o aluno surdo, só um dos professores procura se comunicar com ele e pede ajuda ao intérprete para realizar a interação entre eles; outro professor acha que a interação entre os alunos é mais fácil, por já se conhecerem. Dois professores avaliam o aluno surdo com um futuro promissor; um deles disse que às vezes ele demonstra interesse e outras vezes não, porém nas observações em sala o aluno demonstrou ser uma pessoa tranquila e receptiva, sempre disposto a ajudar, a aprender e a realizar todas as atividades.

Portanto, os docentes da Educação Profissional precisam refletir sobre as suas práticas para reestruturar o cotidiano da escola técnica profissionalizante, valorizando, assim, a diversidade humana. O estudo mostrou que a área técnica precisa urgentemente capacitação para trabalhar de forma mais pedagógica, receptiva e empática, pois a sociedade não é composta de pessoas iguais e sim de diferenças que se completam e se ajudam. Não é possível incluir o aluno surdo em uma sala de aula regular apenas com a presença do intérprete; é preciso garantir a ele seus direitos de prosseguir com qualidade seus estudos e conseguir um emprego como fruto de seu próprio esforço.

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