Ir para o conteúdo

Classificações do livro ágrafo e a sua leitura: introdução

José Salmo Dansa de Alencar

Doutor em Design (PUC-Rio)

A noção de gênero engloba inúmeras acepções que fazem parte de nosso vocabulário para classificar objetos em categorias. Essa forma de classificação com base nas abordagens das Ciências Naturais tornou-se tão assimilada pela cultura que passou a ser tomada, nos dias de hoje, como forma dialética de contrapor ideias genéricas e específicas. O conceito de gênero consiste em uma unidade de classificação para agrupar espécies de objetos com semelhanças morfológicas e funcionais refletidas em ancestralidades aproximadas.

Ambientes virtuais refletem ambientes tangíveis; portanto, sistemas de busca de bibliotecas são estruturas de organização que decorrem de um pensamento classificatório em analogia às estruturas de organização material. Essa simultaneidade entre ambientes tangíveis e intangíveis tem sua equivalência no objeto que tem suas formas de atuação social como extensão da matéria configurada. A equivalência entre a biblioteca e seu sistema de busca pode ser comparada, no caso dos livros ágrafos, à equivalência entre suas dimensões tangíveis e as intangíveis. Nesse caso, as dimensões estéticas trazem aspectos mais tangíveis relacionados às dimensões de espaço/tempo e sua morfologia. Dentre os aspectos intangíveis, interessa aqui a dimensão semiótica e comunicativa, que procuramos abordar em função da leitura.

A primeira parte de três artigos publicados na revista Educação Pública consiste na apresentação de uma classificação taxonômica de livros ágrafos nos campos de conhecimento com maior incidência: os livros de imagem, pertencentes à Literatura Infantil.

As obras apresentadas foram coletadas em dois acervos: os livros de imagem da Biblioteca de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil – BLLIJ, do Instituto Interdisciplinar de Leitura –iiLer, e o acervo de livros de artista do Research Centre for Artists’ Publications – Weserburg, de Bremen, em 2016. O material apresentado integra o corpus da minha pesquisa de doutorado intitulada “Estudo das dimensões do livro ágrafo”, iniciada em 2014 no Departamento de Arte e Design da PUC-Rio.

A segunda parte, os livros de artista, pertencentes às Artes Visuais, consiste na descrição das principais características dos livros ágrafos e serve para estabelecer tipologias de imagem, objetos, formas narrativas e critérios de legibilidade.

Aqui apresentamos as características dos livros de artista em sua classificação em relação às Publicações de artista, apresentando distinções que inclui suas espécies, subcategorias e a influência da tecnologia nos processos de categorização. (Thurmann-Jajes, 2009, 2010; Ludovico, 2015).

Na terceira parte apresentamos uma classificação esquemática do livro de imagem, partindo de um breve percurso da formação de sua terminologia, a influência dos gêneros literários, semelhanças e distinções em relação ao livro de artista e a influência de outros meios sobre suas formas de narrativas (Rosenfeld, 1983; 1995; Sagae, 2008; Linden, 2011; McCloud, 2005).

A descrição das principais características dos livros ágrafos serve aqui para estabelecer tipologias de imagem, objetos, formas narrativas e critérios de legibilidade. Abordamos aqui a leitura dos livros ágrafos comparando imagens e grafias, processos de criação e fruição. As duas principais categorias de livros ágrafos trazem contribuições distintas aos processos de análise e leitura, encontrando pontos em comum na influência das formas verbais para cada tipo de narrativa, na relação genérica ou específica com cada ambiente (Nikolajeva, 2011; Favero; Kock, 1983; McCloud, 2007; Carrion, 2011; Krüger, 1993).

Publicado em