Alfabetização ecológica

Any Bernstein

Professora da Fundação Cecierj

Riva Roitman

Professora da UFRJ

Alfabetização ecológica é o processo no qual o aluno adquire a capacidade de ler, descrever e interpretar o ambiente que o cerca. Um indivíduo alfabetizado passa a reconhecer e decodificar aspectos ecológicos locais e, assim, encontrar soluções para problemas no seu dia a dia.

Um dos grandes desafios atuais do ensino nos diferentes níveis é fazer a articulação entre conteúdos escolares e a aplicabilidade deles no cotidiano; ambientes naturais oferecem contextos que ajudam a criar significados, a desenvolver comportamentos e valores que levarão ao respeito pela fauna e pela flora e à compreensão dos limites de desmatamento, problemas com descartes de resíduos etc.

Educar não é apenas cumprir o programa de curso, limitando-se a aplicar os conceitos. Conseguir ligar o conteúdo programático ao problema vivenciado no dia a dia do aluno e engajá-lo na procura da solução do problema é um exercício de cidadania que leva à melhoria na qualidade de vida de todos, pois o aluno poderá levar para seu meio social o aprendizado adquirido.

Como iniciar a alfabetização ecológica?

Questões simples sugeridas pelo professor podem ocupar o espaço experimental da aula de Ciências e trazer esclarecimentos importantes sobre problemas que a população está enfrentando, como: a escassez de água pode atingir a sua cidade?

Algumas questões podem orientar o processo de alfabetização ecológica na resolução da pergunta formulada:

  • Sobre a bacia que supre sua região: quais os rios que a compõem, como é gerida? Há conservação das matas ciliares?
  • Sobre a captação da água até a residência: o tratamento da água de abastecimento é realizado pela companhia de águas (Cedae e outras) ou a água é originada de poços?
  • Sobre a questão da escassez de água: o índice pluviométrico na sua região mudou nos últimos 10 anos? Havia florestas e árvores em sua localidade 10 anos atrás?
  • Sobre a captação de efluentes domésticos: quantos domicílios da comunidade estão ligados à rede pública de esgoto? Onde estão registrados os maiores déficits? Existem domicílios sem sanitários que usam fossas? Qual o tipo? Fossa-seca, tanque de fermentação, química?
  • Sobre o tratamento das águas servidas: existe estação de tratamento? Funciona adequadamente? Há casos em que o sistema de esgoto sanitário e a drenagem das águas pluviais são realizados conjuntamente? Como é realizado o tratamento dos efluentes no município? Há lançamento clandestino de efluente industrial na rede coletora de esgoto sanitário? Há domicílios que lançam o esgoto diretamente nas vias públicas, rios, lagos e mares?
  • Sobre doenças de veiculação hídrica: quais os problemas sanitários encontrados na população relacionados com a potabilidade da água?

Esse levantamento conduz à percepção do ambiente percorrido pela água, seu armazenamento e seu tratamento e pode chegar às causas de doenças de veiculação hídrica. Esse tipo de atividade, apoiado em conhecimentos científicos, auxilia o aluno a entender inter-relações do meio ambiente com a saúde humana.

Cuidados com as fontes de informação

O processo de ensino-aprendizagem em Educação Ambiental requer cuidados especiais por parte do professor com relação às fontes de informação divulgadas nos sítios da internet que dão prioridade a interesses de comercialização de produtos.

Os educadores ambientais devem estar preparados para utilizar a mídia e a cultura popular de forma crítica no contexto do educando. É papel do professor esclarecer seus alunos sobre as fontes de informação acadêmicas que devem ser consultadas quando se buscam aplicações das ciências no dia a dia.

Publicado em 18 de agosto de 2015