Classificações do livro ágrafo e a sua leitura: o livro de artista

José Salmo Dansa de Alencar

Doutor em Design (PUC-Rio)

A crescente desmaterialização do objeto e as novas possibilidades de acesso aos bens culturais facilitadas pelas novas tecnologias trazem consigo uma contrapartida de dimensões estéticas dentro do atual ambiente de produção cultural. A experiência em relação aos objetos vem se transformando rapidamente, colocando em questão o fetichismo do artefato, evidenciando a desmaterialização como manifestação da consciência ecológica e privilegiando o conteúdo sobre a forma. Não obstante, a qualidade mais valorizada nesse contexto continua sendo a singularidade, tornando-se, mais do que nunca, o item mais ambicionado da nossa sociedade de consumo.

O objeto de arte, inserido nesse contexto, torna-se símbolo e documento dessa transformação, atuando, ao mesmo tempo, como revelador e parte integrada à reorganização de sua complexidade. Nesse sentido, a classificação taxonômica do livro de artista se encontra intimamente relacionada à forma do objeto e sua atuação social. Desse modo, as variações da forma material configuradas em cada livro trazem aspectos da morfologia de uma espécie de objeto em ambientes representados como coleções. Então, tomando o livro como mídia capaz de documentar a praxis do artista, será possível examiná-lo especificamente por sua forma e genericamente em relação ao ambiente.

Quando falamos de livro de artista devemos ter em conta outros meios semelhantes – concomitantes e posteriores –, a hibridização das formas e a possibilidade de reprodução em série. Então, tendo como ponto comum dessas formas o contexto da intermídia, o termo que pode abraçar essa diversidade traz o nome “publicações de artista”, abarcando formas de arte materializadas nas mais diversas mídias. Para o livro de artista, assim como nas formas jornal de artista e revista de artista, apresenta-se uma classificação mais detalhada, incluindo suas subformas, que se dividem entre primárias e secundárias (Thurmann-Jajes & Vögtle, 2009, p. 19).

Nas subformas primárias, o eixo referencial é o livro como objeto, compartilhando, por exemplo, formas que foram historicamente cunhadas no ambiente dos livros infantis: o livro para pintar, o pop-up e o leporello. Formas da arte moderna, como a assemblagem, ou da arte contemporânea, como a instalação e o livro-objeto, dialogam com formas cunhadas no ambiente da intermídia, como o cartaz dobrado como livroe o livro-cartão postal. Como subformas secundárias, livros de artista podem ser definidos pela manutenção dos padrões formais do mercado; o eixo referencial é a atuação do artista, como sujeito.

Quadro 1: Formas de arte categorizadas como “Publicações de artista”

Códice

Livros de artista, revistas de artista, jornais de artista
Objetos conceituais Edição de objeto, múltiplos
Arte impressa Edição de foto, gráficos, impressos, ephemera
Mídia de áudio Gravação de artista, fita cassete, compact disc – CD
Mídia audiovisual Edição de filme/vídeo, edição multimídia

 

As publicações de artista podem ser subdividas em cinco grupos, revelando que as relações de forma e conteúdo implicam meios específicos para cada tipo específico de conteúdo. Cada tipo de mídia traz também sua própria história, mas sempre com algumas interseções. Assim, os meios que agrupamos como mídia audiovisual trazem aspectos da mídia de áudio, assim como os códices trazem aspectos da arte impressa.

Essa subdivisão organiza os meios relacionando os seguintes tipos: códice, objetos conceituais, arte impressa, mídia de áudio e mídia audiovisual. Nesse sentido, as publicações na forma de códice, tais como o livro de artista, o jornal de artista e a revista de artista, terão maior interação entre si. Por essa distinção, o livro infantil é um “gênero associado à forma de arte livro do artista” e reflete uma específica “área temática em que o livro do artista como meio está envolvido conceitualmente” (Thurmann-Jajes & Vögtle, 2009, p. 19).

Quadro 2: Gêneros associados e formas de livro de artista

Gêneros associados
ao livro de artista (a)

Formas de livro de artista (b)
Subformas primárias Subformas secundárias
Projeto/ação Narrativa visual Livro de artista padrão Capa de livro projetada por artista
Mapa de cidade Mapa Livro-objeto Catálogo de exposição projetado por artista
Caderno de notas Lista de endereços Livro de postais Intervenção em obra preexistente
Diário Calendário Leporello Contribuição original
Antologia Álbum Pop-up  
Livro infantil Livro em miniatura Cartaz (dobrado)
Partitura Letras de música Instalação (com livros)
Documento Catálogo Assemblagem
Política Biografia  
Photo book Quadrinhos
Apropriação História
Erotismo Álbum de recortes
Flip book Monografia*

 

O processo criativo representa um aspecto da ontologia do livro de artista e aqui procuramos traçar um breve panorama apresentando algumas dinâmicas específicas e uma visão das relações envolvidas na criação desses livros. Por isso, nossa abordagem procura tipos de autores, temas e tipos de livros relacionados a eles partindo inicialmente de três dinâmicas principais e exemplos de tipos de objetos resultantes: o livro único, o livro como parceria e o livro monografia (com base no termo inglês “monograph”, escrito por um só).

O livroúnico consiste em uma ou poucas cópias assinadas, apresentando-se como trabalho final que tem em si todas as etapas de trabalho. Cabe aqui uma distinção do protótipo, livro artesanal único produzido como um layout com os principais elementos de sua configuração, sendo exemplo referencial usado para apresentar um projeto de livro destinado a ser publicado em série. O livro único contempla uma vasta gama de possibilidades, com predomínio da linguagem visual e do livro-objeto.

O livro comoparceria é resultante da colaboração real ou virtual entre o autor do texto (poeta) e o autor das imagens (artista visual). Esse tipo de trabalho pode abrir-se para várias decorrências, como a criação do texto poético e a criação da obra gráfica. O artista visual usa o texto de um escritor para fazer uma interpretação na forma de um livro, usando-o como matéria ou estabelecendo um diálogo gráfico-verbal. A interpretação pode acontecer tipograficamente, atuando sobre o texto em si e convertendo em elemento em interação com o papel, objeto e a narrativa, ou como ponto de partida para a produção de imagens mais ou menos ilustrativas.

Amonografia é uma proposição independente iniciada e conduzida pelo autor das imagens ou o autor dos textos que abrange todas ou a maior parte das etapas de criação e produção gráfica, podendo ser definida como um tipo de “monólogo”, no qual o próprio artista cria e produz seu livro. Este é um processo típico da criação do livro ágrafo, em que a narrativa é exclusivamente visual. Em livros infantis e livros de artista há exemplos de ilustradores e artistas que produziram textos e imagens, assim como escritores que também criaram conteúdos visuais para suas próprias obras.

Aspectos da criação de livros de artista podem ser deduzidos por meio das curadorias de exposição e essas escolhas e agrupamentos de tipos que são, em última instância, formas de classificação, com foco no sujeito (autor) ou no objeto (obra). Podemos perceber esse universo pela curadoria de Michael Glasmeier (1994), visível no catálogo da exposiçãoDie Bücher der Künster, no qual as obras estão em dez grupos, abrangendo questões estruturais dessa prática. Amir Brito Cadôr e Paulo Silveira foram curadores da exposição Tendências do Livro de Artista no Brasil: 30 anos depois, no Centro Cultural São Paulo – CCSP (2016), comemorativa da mostra ocorrida no mesmo local, com curadoria de Annateresa Fabris, em 1986; eles definiram temas de agrupamento pelo tipo de obra conforme o Quadro 3.

Quadro 3: Comparativo de curadorias: (a) – tipos de autor; e (b) – tipos de obra.

Die Bücher der Künstler, 1994 (a)

Tendências do livro de artista no Brasil II, 2016 (b)
Fluxus e happenings Poesia visual; performance; metalinguagem
Pesquisadores e colecionadores Projeto e investigação; memória; arte impressa
Documentaristas e copistas Apropriação de textos e imagens; formato
Escritores e teóricos Questão artística; sociedade; narrativas
Pintores e desenhistas Forma e cor; humor; paisagem
Editores Catálogo como obra de arte; publicações coletivas

 

Tomando a ontologia das publicações de artista, podemos especular sobre a primazia histórica do livro de artista em relação aos outros meios, suas manifestações artísticas anteriores e daí à concepção do livro de artista como gênero. Outro aspecto é o uso da tecnologia e as possibilidades de produção de obras impressas com recursos como a impressão sob demanda e o DIY. Essa disponibilidade tem se convertido em uma nova forma de ampliação do acesso do público às obras. Por outro lado, a democratização desses meios trouxe como contrapartida uma discussão de caráter ético e estético que leva em conta o aparente interesse nas facilidades disponibilizadas pela tecnologia para produzir trabalhos de baixo custo com uma igualmente baixa qualidade conceitual (Ludovico, 2015).

Os zines foram criados na década 1970 graças à difusão do mimeógrafo, que permitiu a publicação independente por fãs de ficção científica nos EUA em oposição à política da então chamada “Cortina de Ferro”. Nessa época, o movimento punk começou a usá-los como meio para criação de networking e a reapropriação de práticas visuais, como a arte postal e a prática de montagem de revistas piratas (Action/projects Magazines), provocando reações controversas e aumentando a consciência pública sobre o trabalho da mídia tradicional. O jornal, a revista e o livro de artista são mídias na forma de códice que têm essa atuação crítica dos artistas como raiz comum. Então, um aspecto fundamental das publicações de artista – ágrafas ou não – é a prevalência do conteúdo sobre a forma, tendo em conta a origem minimalista conceitual e o contexto político dos anos 1960/70.

O formato e o layout dos jornais ainda são uma das formas impressas mais emblemáticas, amplamente utilizadas como mídia para o trabalho de artistas e ativistas. Considerando que sua forma moderna não mudou muito desde o século XIX, os jornais se estabeleceram como objeto padrão estético vinculado principalmente à informação diária. Segundo Alessandro Ludovico, “fazer cópias falsificadas e distribuí-las livremente a fim de atrair a atenção do público [...] é uma prática antiga, que remonta o fim do século XIX”, mas seu uso consciente para atuação e contestação política é mais recente. Ludovico cita o exemplo de uma versão falsa do jornal polonês Trybuna Ludu distribuída durante a visita do papa João Paulo II à sua terra natal, em 1979, ostentando a manchete “Governo renuncia, Wojtyla é coroado rei” (Ludovico, 2015).

Os princípios estéticos do livro de artista contemporâneo são resultantes da mobilização de artistas do passado ao abrir pequenas editoras, gerando diálogo e cooperação entre artistas na busca de caminhos alternativos para publicações e exposições. Desse primeiro impulso, instalou-se também uma distinção entre o objeto “único” e o “múltiplo”. No caso do livro único, pensamos especialmente o trabalho do artista e sua concepção plástica, enquanto no livro múltiplo, geralmente impresso em pequenas tiragens, temos a participação direta do artista na produção e o livro como objeto de difusão, na mesma linha histórica e ontológica da gravura (Febvre; Martin, 1992).

Se a assinatura e a tiragem de uma gravura asseguram autenticidade e a participação efetiva do artista, em publicações de artista essa importância é minimizada, sobretudo se considerarmos as práticas DIY e de impressão sob demanda. O artista-editor tem como objetivo maior preservar a originalidade do livro; de fato, artistas como Dieter Roth produziram livros atuando também como impressores em grandes tiragens (até 1.000 cópias), seguindo exemplos significativos como Picasso e Gauguin. François Chapon, em seu livro Le Peintre et le Livre, l’âge d’or du livre illustré en France 1870-1970 (Paris: Flammarion, 1987), cita o livro de poemas de Charles Orléans, ilustrado por Henri Matisse (Paris: Tériade, 1950), assim como, o livro Lisístrata, de Aristófanes (New York: The Limited Editions Club, 1934) ilustrado por Pablo Picasso.

Outro aspecto autoral é a escolha das técnicas de impressão; é também uma forma de distinção entre a linhagem mais abarcadora, que contempla diferentes qualidades de obras, ou mais estrita, a linhagem minimalista-conceitual. O tipo de impressão responde sobre a qualidade da imagem e está também relacionada às tiragens, cada uma podendo alcançar diferentes números de cópias a partir de uma matriz inicial. As principais técnicas de impressão utilizadas em livros de artista são: impressão tipográfica, impressão com clichê, duplicação a álcool, mimeografia, impressão a laser, litografia, monotipia, offset, gravura em relevo, gravura em metal, serigrafia, risografia, impressão de carimbo, xerografia, colagem e montagem.

Esse repertório de técnicas sinaliza para a estética multifacetada dos livros de artista, demonstrando abertura tanto para processos artesanais, mais próximos ao livro único, quanto para processos tecnológicos, mais próximos da escala industrial. Essa diversidade demonstra ainda o contraste em face da de livros infantis, restrita ao offset como praticamente única técnica de impressão. O livro de artista segue o impulso do artista com ênfase no objeto de arte, usando um amplo repertório gráfico para abordar as linguagens da própria arte e suas interseções. A produção industrial e a ênfase comercial dos livros infantis buscam modelos de uma linguagem específica cunhada ao longo de dois séculos e dedicada primordialmente às crianças.

Considerações finais

O livro infantil é um gênero associado à forma de arte livro do artista, dentro de um espectro categorizado sob o termo publicação de artista. Nesse sentido, assim como a poesia visual foi resultante do desejo de poetas de fugir do texto linear, o livro como meio encontrou bifurcações para os meios eletrônicos. A impressão sob demanda e o DIY têm se convertido em formas de ampliar o acesso do público às obras, ainda que essa democratização tenha trazido questões éticas e estéticas como contrapartida.

O jornal de artista, a revista de artista e o livro de artista são mídias na forma de códice que se distinguem pelos formatos e periodicidades, tendo a atuação crítica como raiz comum. Os princípios estéticos do livro de artista contemporâneo são resultantes da mobilização de artistas do passado ao abrir pequenas editoras, gerando diálogo e cooperação entre artistas. No livro múltiplo – impresso em série e distinto do livro único –, a participação direta do artista na produção desse objeto de difusão estabelece uma ligação do livro de artista com a mesma linha histórica e ontológica da gravura.

A denominação “publicação de artista” abarca formas de arte materializadas como mídias que, nas formas de códice, incluem suas subformas primárias e secundárias. As publicações de artista são subdividas em cinco grupos. Cada tipo de mídia traz sua própria história, mas sempre com algumas interseções, como os “códices”, que trazem aspectos dos meios impressos. Assim, podemos identificar nas publicações do artista a influência do binômio autonomia/dependência.

O processo criativo representa um aspecto da ontologia do livro de artista e, numa visão panorâmica da criação desses livros, apresentamos três dinâmicas principais: o livro único, o livro como parceria e o livro monográfico. O tipo de impressão está também relacionado ao processo criativo. O amplo repertório de técnicas sinaliza para a estética multifacetada dos livros de artista e, ao mesmo tempo, o contraste face à produção industrial de livros infantis, restrita ao offset.

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Este artigo faz parte de uma série de artigos, leia mais em:
http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/classificacoes-do-livro-agrafo-e-a-sua-leitura

Publicado em 22 de maio de 2018