Resenha

Gustavo Tanus

Doutorando em Estudos da Linguagem/Literatura Comparada (UFRN) e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, bacharel e licenciado em Português e bacharel em Edição (UFMG), pesquisador e integrante da comissão editorial do Literafro – portal da literatura afro-brasileira, Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade (NEIA/UFMG), cofundador e pesquisador do Moviola – grupo de pesquisas intersemióticas/intermídias: travessias



Gênero festa em comemoração à linguagem,
conversa em detalhe,
num diálogo aberto com o livro
e com o seu possível leitor.
Contagem/contação da leitura,
resumo, recensão,
lista, rol, catálogo de impressões.
Esse gênero generoso, em que
o resenhista,
uma espécie de primeiro leitor do livro resenhado,
debruça sobre o texto,
reflete importâncias,
dispõe a d-escrever
sobre essencial e essências,
e suas relatividades,
reatores, relações.

Tal gênero-generosidade, a cada tessitura,
relaciona o humano
e põe pessoas em relacionamento.
Compõe um arranjo constelar entre
o tempo e a interpretação.
Uma rede entre autores da obra,
da resenha e leitores,
feitos, possíveis, imaginados,
todos em constituição.

A resenha (da família dos ensaios)
é texto/trânsito
entre ciência e a poesia.
Desta, trabalha imagens, ritmos, ideias percebidas;
daquela, as inquirições que lastreiam toda pesquisa.
É criação das maneiras de ler e ouvir;
e construção de novos caminhos a perseguir.
Uma consciência de que o conhecimento
desconectado,
desconexo,
desagregado,
é tão só frívola curiosidade;
a resenha é o desejo de transformação,
e transforma.

É narrativa, ficção,
escrita a muitas mãos,
cujo protagonista
é a leitura,
que reluz
do próprio ato de ler.

Publicado em 25 de junho de 2019

Como citar este artigo (ABNT)

TANUS, Gustavo. Resenha. Educação Pública, v. 19, nº 12, 25 de junho de 2019. Disponível em: https://educacaopublica.cederj.edu.br/artigos/19/12/resenha