A importância da formação docente: a avaliação em cursos semipresenciais no Sistema de Ensino Naval (SEN)

Renan Mota Silva

Licenciado em Pedagogia (Unesa), especialista em Psicopedagogia Institucional, Clínica e Educação Infantil e em Educação a Distância/Docência do Ensino Superior (Faculdade Venda Nova do Imigrante), pesquisador da memória, cidadania, direitos e educação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo da Ilha da Marambaia

O tema avaliação da aprendizagem no ensino a distância ainda é muito incipiente, por causa da dinamicidade, periodicidade e formas de acompanhamento do professor para o aluno, necessitando por vezes maior respaldo e aprimoramento das ferramentas avaliativas. Esse tema também é controverso e complexo, por possuir enorme importância nas abordagens pautadas nos aspectos qualitativos do processo de ensino-aprendizagem. Quando visualizado no campo dos cursos semipresenciais, utilizando como fundamentação teórica o texto de José Manuel Moran, “O que aprendi sobre avaliação em cursos semipresenciais”, o impacto é ainda maior; todavia há uma enorme relevância e obscuridade, visto que as diferenças espaço-temporais entre aquele que ensina e aquele que aprende acabam por impingir todo esse mecanismo valorativo.

O rápido desenvolvimento das tecnologias educacionais denota que instrutores/professores necessitam de no mínimo uma matriz flexível para avaliar e não simplesmente medir a aprendizagem dos alunos, conforme se percebe nos aspectos gerais da avaliação da aprendizagem; a concepção tradicional somente considera as respostas apresentadas pelos alunos no momento da aplicação da prova, enquanto contribuições que tenham sido realizadas durante outras atividades escolares são esquecidas. Além disso, os resultados obtidos são úteis apenas para classificar e excluir os alunos, diferentemente da concepção transformadora, que é reflexiva, investigativa, contínua, participativa, negociada, democrática (incluindo a autoavaliação) e abrangente, isto é, envolve todo o processo educativo (ambiente, professor e sua prática pedagógica, aluno e seu compromisso com a aprendizagem).

Para Moran (2006), “o contato com os ambientes virtuais de aprendizagem me fez perceber que a avaliação não podia ser feita só no fim, que era importante realizar atividades que se somassem, integrassem e concluíssem ao longo do curso”; diante disso, a avaliação deve acontecer durante todo o curso, por meio de atividades que permitam uma análise qualitativa da aprendizagem. Para esse fim, Moran aponta três categorias:

  1. elaboração de atividades relacionadas ao conteúdo;
  2. pesquisa sobre temas próximos à vida e interesse do aluno; e
  3. avaliação da qualidade da participação no ambiente virtual.

Depreende-se, no entanto, que é importante considerar os conteúdos, o momento e os instrumentos a serem utilizados em qualquer avaliação. No Sistema de Ensino Naval (SEN), são comumente utilizados diferentes técnicas e instrumentos de avaliação:

  1. testagem: provas escritas objetivas e dissertativas;
  2. observação: fóruns, bate-papos, correios, trabalho etc.;
  3. questionários: de final de curso, de final de disciplina, de acompanhamento e outros; e
  4. autoavaliação: listas de verificação  ou escalas de avaliação, portfólio e processofólio.

Diante disso, espera-se sempre que os aspectos qualitativos estejam fortemente presentes nas mediações e interações entre os alunos, devendo ser ponderados na análise dos critérios avaliativos.

Os ambientes virtuais de aprendizagem, quando bem elaborados, acabam por estreitar os laços entre professores e alunos, por meio das múltiplas ferramentas disponíveis para uso, favorecendo a interação interpessoal. Agregam-se, então, novas possibilidades aos instrumentos de avaliação, resumindo-a na construção do conhecimento para uma perspectiva construtivista e formativa, de forma que cada discente seja acompanhado no know-how e que a avaliação seja eficazmente colaborativa.

Nesse viés, destaca-se o grande potencial de prestabilidade para a modalidade de ensino semipresencial, haja vista o grande estímulo para a comunicação mediante a interação entre os sujeitos. Dessa forma, pode-se inferir que se faz necessário estabelecer uma arquitetura pedagógica eficaz para dar conta de todos os aspectos que possibilitarão essa interação, sejam eles síncronos ou assíncronos, cujo produto final faça a construção coletiva do conhecimento: o docente como mediador e o aluno como sujeito ativo diante das atividades a serem realizadas.

Em síntese, de forma judiciosa, é imprescindível relatar que os instrumentos de avaliação da aprendizagem usados nos cursos presenciais, híbridos ou totalmente a distância devem primar sempre pela intenção de possibilitar a verificação da aprendizagem significativa de conteúdos, se ocorreu ou não, e indicar o caminho a percorrer em busca da efetiva aprendizagem, com linguagem adequada, no que se refere a feedback do aluno. 

Referências

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Ensino da Marinha. Manual para elaboração de cursos a distância. DEnsM-5001. Rio de Janeiro, 2005.

______. Portaria DEnsM nº 21/12. Aprova as Normas para a Condução dos Cursos a Distância.

______. Diretoria Geral de Pessoal da Marinha. Normas para os cursos e estágios do SEN. DGPM-101. Rio de Janeiro, 2006.

MORAN, José Manuel. Caminhos para a aprendizagem inovadora. In: MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 12ª ed. São Paulo: Papirus, 2006.

______. O que aprendi sobre avaliação em cursos semipresenciais. Portal Educação.
Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/o/2786. Acesso em: 25 jul. 2018.

Publicado em 12 de março de 2019

Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Renan Mota. A importância da formação docente: a avaliação em cursos semipresenciais no Sistema de Ensino Naval (SEN). Educação Pública, v. 19, nº 5, 12 de março de 2019. https://educacaopublica.cederj.edu.br/artigos/19/5/a-importancia-da-formacao-docente-a-avaliacao-em-cursos-semipresenciais-no-sistema-de-ensino-naval-sen